sexta-feira, 24 de agosto de 2012

HUMILDADE


LOCAL: Capela Beato João Paulo II
TEMA: HUMILDADE

 “O primeiro passo na busca da verdade é a humildade. O segundo, a humildade. O terceiro, a humildade. E o último, a humildade!” (Santo Agostinho)
“A humildade é a verdade” (Santa Teresa de Ávila)

HUMILDADE: RAIZ DE TODAS AS VIRTUDES

“A humildade, dizia São Gaspar, é a mãe de todas as virtudes.” É o terreno fértil, que permite às sementes lançar raízes, germinar e chegar à maturação. Sem humildade no coração, nada nasce.
Sem humildade, não há virtude que possa existir numa alma. Possua embora todas as virtudes, fugiriam todas ao lhe fugir a humildade.
 A palavra “humildade vem do latim “humus” (terra)  e, segundo Santo Isidoro, indica o comportamento espiritual de quem  não se distancia muito da terra, mas se volta para o baixo.
A humildade tem duplo fundamento: a verdade e a justiça: a verdade, faz que conheçamos a nós mesmos tais quais somos; a justiça, que nos inclina a tratar-nos em conformidade com esse conhecimento.
Santo Tomás de Aquino diz que: “Para nos conhecermos a nós mesmos, é necessário ver o que em nós pertence a Deus e o que nos pertence a nós, como próprio; ora, tudo quanto há de bom vem de Deus e a Deus pertence, tudo quanto há de mau ou defeituoso vem de nós”.
A justiça exige, pois, imperiosamente que se dê a Deus, e a Deus só, toda a honra e glória:“Amém! O louvor, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força pertencem ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém!” (Ap 7, 12).
Não há dúvida que alguma coisa boa há em nós: o nosso ser natural e sobretudo  os nossos privilégios sobrenaturais. A humildade não nos impede de os ver e admirar; mas, assim como quando se admira um quadro, é para o artista que o pintou que vai a nossa homenagem e não para a tela, assim também, quando admiramos os dons e graças de Deus em nós, é a Ele e não a nós mesmos que se deve dirigir a nossa admiração (Tanquerey).
Tanquerey diz que: “Devemos, pois, por justiça, amar as humilhações, aceitar todas as afrontas; se nos dizem que somos avaros, desonestos, orgulhosos, devemos convir nisso, porque conservamos em nós a tendência a todos esses defeitos”.

JESUS E A HUMILDADE

Jesus Cristo diz em Mt 11, 29: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. Santo Agostinho comenta: “Ele não nos pede que o imitemos na fabricação do mundo, na criação dos seres visíveis e invisíveis, na realização das obras maravilhosas, mas na humildade de coração”.
O Coração de Jesus é um oceano infinito de virtudes, é um imenso jardim, onde Ele nos convida a entrar e colher a flor perfumada da humildade.
Jesus Cristo revelou a sua humildade em todas as ações. Se operava milagres, recomendava que fossem velados no silêncio; se as multidões, deslumbradas por seus milagres, procuravam proclamá-lo rei, desaparecia e não se deixava encontrar.
Toda a vida de Jesus foi uma escola de humildade, principalmente a sua morte na cruz: “Humilhou-se a si mesmo fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz” (Fl 2, 8).
Pela humildade e pela humilhação Jesus se tornou o 'novo Adão' que salvou o mundo (Rom 5,12s). Maria, a mãe do Senhor, tornou-se a 'nova Eva', ensina a Igreja, porque na sua humildade destruiu os laços da soberba da primeira virgem.

OS DOZE GRAUS DA HUMILDADE SEGUNDO SÃO BENTO

1. O temor de Deus, sempre presente aos olhos de nosso espírito, e fazendo-nos praticar os mandamentos: temor dos castigos primeiro, depois temor reverencial, que remata na adoração.
2. A obediência ou submissão da nossa vontade à de Deus; é claro, que, se temos reverência e temor de Deus, faremos a sua vontade em tudo. Esta obediência é sem dúvida um ato de humildade, visto ser a expressão da nossa dependência para com Deus.
3. A obediência aos superiores por amor de Deus. É mais dificultoso submeter-se aos Superiores que ao próprio Deus: de fato, é necessário mais espírito de fé, para ver a Deus nos Superiores, e mais perfeita abnegação, porque esta obediência se aplica a maior número de coisas.
4. A obediência paciente, ainda nas coisas mais dificultosas, suportando as injúrias sem queixumes, ainda mesmo e, sobretudo quando a humilhação vem dos Superiores: para o conseguir, pensar na recompensa celeste e nos sofrimentos e humilhações de Jesus.
5. A confissão da faltas secretas, incluindo os pensamentos, ao Superior, fora da confissão sacramental. É este ato de humildade um freio poderoso: a idéia de que será necessário manifestar as faltas mais ocultas, trava muitas vezes o despenho para o abismo.
6. A aceitação cordial de todas as privações, ocupações vis, considerando-se inferior ao seu oficio.
7. Julgar-se sinceramente, do fundo do coração, o último de todos os homens. É raro este grau; os Santos chegam lá, refletindo que, se os outros tivessem tido tantas graças como eles, seriam melhores.
8. A fuga da singularidade: não fazer nada de extraordinário, mas contentar-se do que é autorizado pela regra comum, pelos exemplos dos antigos e pelos costumes legítimos: querer singularizar-se é, efetivamente, sinal de orgulho ou vaidade.
9. O silêncio: saber calar enquanto nos não interrogam ou enquanto não há uma boa razão de dar o parecer, e ceder aos outros ocasião de falar. De fato, na ânsia de tomar a palavra, há muita vaidade.
10. A moderação no rir. São Bento não condena o rir, enquanto é expressão de alegria espiritual, mas tão somente o riso de má pinta, a gargalhada estridente ou zombeteira, ou a disposição habitual a rir pronta e ruidosamente, que mostra pouco respeito da presença de Deus e pouca humildade.
11. A reserva nas palavras: quando se fala, fazê-lo suave e humildemente, sem gritos, com a gravidade e sobriedade do homem sisudo.
12. A modéstia no porte: andar, assentar-se, estar de pé, olhar moderadamente, sem afetação, a cabeça ligeiramente inclinada, o pensamento em Deus e na própria indignidade de levantar os olhos ao céu.

A HUMILDADE NOS ESCRITOS DOS SANTOS

Muitos cristãos são cheios de boas virtudes, mas infelizmente tornam-se 'inchados', pensando infantilmente que essas boas virtudes são méritos próprios e não graças de Deus, para serviço dos outros. Deus disse a Santa Catarina que: 'o pecador, qual ladrão, rouba-Me a honra, para atribui-la a si mesmo'.
'O diabo orgulhoso não tolera um espírito humilde'. É a humildade que vence o demônio sempre. São Vicente de Paulo dizia que ele não sabe se defender contra a humildade, por ser soberbo.
Santa Teresa dizia que 'uma pessoa caminha mais para Deus quando deixa de desculpar-se do que ouvindo dez sermões'. E ela diz a razão disso: 'Não se desculpando, começa a adquirir a liberdade interior e a não se preocupar se dizem dele bem ou mal'.
A extrema humildade de vários santos os levavam a se sentirem os piores pecadores, por incrível que nos pareça. Santa Teresa ensinava às suas monjas dizendo:'Não acrediteis ter progredido na perfeição, se não vos julgardes piores de todas e se não desejais ser tratadas como as últimas'.
Santo Afonso dizia que: 'Mesmo os pecados cometidos podem concorrer para a nossa santificação, na medida em que a sua lembrança nos faz mais humildes, mais agradecidos às graças que Deus nos deu, depois de tantas ofensas'.
Enfim, a humildade é a grande força daquele que quer a santidade. Santa Teresa o disse: 'Quem possui as virtudes da humildade e do desapego bem pode lutar contra todo o inferno junto e o mundo inteiro com suas seduções'.
O grande místico doutor, S. João da Cruz, disse que: 'Visões, revelações, sentimentos celestes e tudo quanto se pode imaginar de mais elevado, não valem tanto quanto o menor ato de humildade'.

ORAÇÃO PARA SE OBTER A VIRTUDE DA HUMILDADE

“Senhor, Vós conheceis a minha fraqueza!
Cada manhã tomo a resolução de praticar
a humildade e à noite reconheço que
cometi ainda muitas faltas de orgulho.
À vista disto, sou tentada a desencorajar,
mas, eu sei, o desencorajamento
é também orgulho.
Quero pois, ó meu Deus,
assentar a minha esperança
somente em Vós;
porque Vós tudo podeis!
Dignai-vos fazer nascer na
minha alma a virtude que desejo.
Para obter esta graça
da vossa infinita misericórdia,
repetir-vos-ei muitas vezes:
Ó Jesus, doce e humilde de coração,
tornai o meu coração semelhante ao vosso!”

(Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face)

REC – REFLEXÕES E ESTUDOS CATÓLICOS – 22/08/2012


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

DILIGÊNCIA


LOCAL: Capela Beato João Paulo II
TEMA: DILIGÊNCIA

“A alma verdadeiramente amorosa de Deus, não põe delongas em fazer quanto pode para achar o Filho de Deus, seu Amado. Mesmo depois de haver empregado todas as diligências, não se contenta e julga haver feito nada.” (São João da Cruz)

                              QUE SIGNIFICA DILIGÊNCIA?

A diligência é o antídoto específico da preguiça. Onde a preguiça cava um abismo, a diligência ergue uma montanha. E o que é a diligência?
Na realidade, diligência é uma palavra que vem diretamente do verbo latino diligere, que significa amar. De modo que “diligente” significa aquele que ama.
Isto é da maior importância para o tema que nos ocupa. A acédia (preguiça) é o contrário do amor, pelo fato de sentir aversão e tristeza por aquilo mesmo que atrai e alegra o amor: o bem, mesmo que seja  árduo e difícil. Em confronto com a preguiça, a virtude da diligência consiste no carinho, alegria e prontidão (coisa diferente da pressa) com que pensamos no bem e nos prontificamos a realizá-lo da melhor maneira possível.
Poucas descrições da diligência existem, mais ricas de conteúdo, do que a contida numa das homilias de São José Maria Escrivá, que transcrevemos a seguir:
"Há duas virtudes humanas - a laboriosidade e a diligência - que se confundem numa só:- no empenho em tirar partido dos talentos que cada um de nós recebeu de Deus.São virtudes, porque induzem a acabar bem as coisas.Quem é laborioso aproveita o tempo, que não é apenas ouro, é Glória de Deus! Faz o que deve e está no que faz, não por rotina nem para ocupar as horas, mas como fruto de uma reflexão atenta e ponderada. Por isso é diligente. O uso normal desta palavra - diligente - evoca-nos a sua origem latina. Diligente vem do verbo diligo, que significa amar, apreciar, escolher algo depois de uma atenção esmerada e cuidadosa. Não é diligente quem se precipita, mas quem trabalha com amor, primorosamente.
Nosso Senhor, perfeito homem, escolheu um trabalho manual que realizou delicada e amorosamente durante quase todo o tempo que permaneceu na terra. Exercitou a sua ocupação de artesão entre os outros habitantes da sua aldeia, e aquele trabalho humano e divino demonstrou-nos claramente que a atividade habitual não é um pormenor de pouca importância, mas é o fulcro da nossa santificação, oportunidade contínua de nos encontrarmos com Deus e de louvá-lo e glorificá-lo com o trabalho da nossa inteligência ou das nossas mãos".

                                 DILIGÊNCIA NÃO É ATIVISMO

Muitas pessoas oferecem a imagem de um ativismo desenfreado. Não param um instante. Vão de cá para lá, assoberbados de tarefas, numa incessante corrida atrás do tempo, que sempre se lhes torna escasso. As ocupações os envolvem como que num redemoinho. Já não são donos de si mesmos. A sua atividade domina-os como um cavalo sem freio, do qual perderam completamente as rédeas.
Homens e mulheres desse estilo não são diligentes. São apenas agitados. Não percebem que, por trás do seu vaivém descontrolado e fatigante, estão sendo atacados por uma forma perniciosa de preguiça: a preguiça espiritual, a preguiça mental.
"O nosso século - escreve Jacques Leclercq - orgulha-se de ser o da vida intensa, e essa vida intensa não é senão uma vida agitada, porque o sinal do nosso século é a corrida, e as mais belas descobertas de que se orgulha não são as descobertas da sabedoria, mas da velocidade. E a nossa vida só é propriamente humana se nela há calma, vagar, sem que isso signifique que deva ser ociosa (...) Acumular corridas e mais corridas, não é acumular montanhas, mas ventos".

                           PREGUIÇA: VÍCIO OPOSTO À DILIGÊNCIA

A preguiça, na maioria das vezes, provém de uma doença na vontade, que se recusa ao esforço, chegando até a temê-lo. “O preguiçoso quer evitar qualquer trabalho, tudo quanto lhe pode perturbar o sossego e arrastar consigo fadigas. Verdadeiro parasita, vive, quanto pode, a expensas dos outros. Manso e resignado, enquanto o não inquietam, impacienta-se e irrita-se, se o querem tirar da sua inércia” (TANQUEREY, Adolph).
Quem assume sua condição de filho muito amado por Deus busca viver, através de cada gesto, a virtude da diligência. Não quer cumprir seu dever com desleixo e deixá-lo mal feito, mas coloca nele amor e assim dá seu melhor para que seja finalizado com esmero.
O repouso foi mandamento de Deus que, Ele mesmo, conforme nos conta o livro de Gênesis, tendo trabalhado na criação do mundo, descansou ao fim. Porém, assim como seria um absurdo dizer que Deus ficou ocioso em seu repouso, devemos nós ter em mente que descansar não é ficar inativo e inerte. “Quem se entrega a trabalhar por Cristo não há de ter um momento livre, porque o descanso não é não fazer nada; é distrair-se em atividades que exigem menos esforço” (São Josemaría Escrivá)
O espírito e o coração do homem não podem estar inativos: se não se absorvem no estudo ou em qualquer outro trabalho, são logo invadidos por um sem-número de imagens, pensamentos, desejos e afetos; ora, no estado de natureza decaída, o que domina em nós, quando não reagimos contra ela, é a tríplice concupiscência: serão, pois, pensamentos sensuais, ambiciosos, orgulhosos, egoístas, interesseiros, que tomarão o predomínio em nossa alma, expondo-a ao pecado” (TANQUEREY, Adolph).
Se nossa vida for estéril, seremos cobrados por todos aqueles que deixamos de ajudar e que até mesmo, por nossa omissão, sofreram ou perderam-se no pecado.
A errônea concepção de que trabalhar, por si só, foi um castigo de Deus aos homens, pode nos trazer um peso desnecessário às nossas tarefas corriqueiras. A verdade é que, mesmo antes do pecado original, já estava ao encargo do homem trabalhar (Cf. Gn 2,15). O homem, por natureza, precisa aperfeiçoar as faculdades com que Deus o dotou, já que não tem a perfeição divina. E a única forma de fazer isso é colocando-as em operação, cultivando-as, e este foi o mandamento de Deus desde o princípio da criação. Verdade é que não havia ainda o cansaço pelo labor – este veio após a queda do homem. Mas a dificuldade deu-nos também a luta, através da qual, se a ela nos aplicamos com diligência, nos santificamos.

                                A PREGUIÇA ESPIRITUAL

Além de nos empregarmos em boas obras, é necessário evitar veementemente a negligência para com Deus, em especial no amor que lhe devemos, que, se chegar por vezes a desprezá-Lo, é pecado mortal. A preguiça espiritual pode ser muito grave quando a alma fica em tal estado de tédio que se acabrunha, desistindo de começar o bem, por ser difícil de ser praticado.
Remédio para a acédia será, portanto, procurar elevar os pensamentos aos bens espirituais, tornando-os mais agradáveis à medida que mais neles nos empenhamos, e sempre buscar aprofundar-se na oração, pois sem ela todo nosso trabalho se tornará infecundo. Além disso, temos na Sagrada Eucaristia nosso alimento espiritual, pois assim como o trabalhador precisa do pão que lhe dê energia para a labuta, precisamos do Pão descido dos Céus, alimento que fortalece nossa fé e nos anima na caridade, fazendo-a crescer em nós. Se desejamos encontrar o Senhor e, um dia, contemplá-Lo face a face, com diligência devemos nos empregar na prática das virtudes.
Segundo o grande místico e Doutor da Igreja, São João da Cruz: “Há alguns que nem mesmo se animam a levantar-se de um lugar agradável e deleitoso, para contentar o Senhor; querem que lhes venham à boca e ao coração os sabores divinos, sem darem um passo na mortificação e renúncia de qualquer de seus gostos, consolações ou quereres inúteis. Tais pessoas, porém, jamais acharão a Deus, por mais que chamem a grandes vozes, até que se resolvam a sair de si para o buscar. Assim o procurava a Esposa nos Cantares, e não o achou enquanto não saiu a buscá-Lo, como diz por estas palavras: ‘Durante a noite no meu leito busquei Aquele a quem ama a minha alma; busquei-o e não O achei. Levantar-me-ei e rodarei a cidade; buscarei pelas ruas e praças públicas Aquele a quem ama a minha alma’ (Ct 3,1-2). E depois de haver sofrido alguns trabalhos, diz então que o achou”

            O TRABALHO NÃO É UMA PENALIDADE, MAS COLABORAÇÃO

A partir da tragédia do pecado original, o trabalho passou a ser um veículo redentor para o homem, além de ser o meio pelo qual ele é chamado a ser cooperador de Deus na obra da construção do mundo.
Michel Quoist disse que “o trabalho não é uma punição, mas uma honra que Deus concede aos homens. O Pai não quis acabar sozinho a criação, por isso convida sua criatura a colaborar com Ele”.
O trabalho traz para o homem uma misteriosa e agradável recompensa que ninguém e nada pode tirar. Se com humildade oferecemos a Ele o nosso trabalho, este adquire um valor eterno. Assim, o temporal se transforma em eterno; e esta é a grande recompensa do trabalhador.
Para nos mostrar a importância fundamental do trabalho, Jesus trabalhou até os trinta anos naquela carpintaria humilde e santa de Nazaré.
São Bento de Núrcia tomou como lema da vida dos mosteiros “Ora et Labora!” (Ora e Trabalha!).
O nosso Catecismo (§378) ensina que: “O trabalho não é uma penalidade, mas a colaboração do homem e da mulher com Deus no aperfeiçoamento da criação visível”.
Tudo o que fazemos deve ser feito “para o Senhor”, sem preguiça e sem reclamação para não perdermos o mérito da boa ação. Não importa o que seja, se é grande ou pequeno. Se você é lavadeira, então lave cada camisa ou cada calça com todo o capricho, como se o próprio Jesus fosse vesti-las. Se você é professor, prepare bem a sua aula, ministre-a com capricho e sem preguiça,  como se Jesus fosse um aluno que quer aprender. Se você é um médico, atenda cada paciente sem preguiça e sem má vontade, como se o próprio Jesus fosse o doente.
                                                     REC – REFLEXÕES E ESTUDOS CATÓLICOS – 08/08/2012

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

MANSIDÃO


                                          LOCAL: Capela Beato João Paulo II

TEMA: MANSIDÃO

“A mansidão do homem é lembrada por Deus e a alma pacífica se converte no templo do Espírito Santo. Cristo recosta sua cabeça nos espíritos mansos e apenas a mente pacífica se converte em morada da Santa Trindade.” (Evágrio Pontico, monge do século IV)

A MANSIDÃO NA BÍBLIA E NO CATECISMO

Primeiramente, Jesus fala sobre a mansidão no Sermão da Montanha:
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!” (Mt 5,5)
Depois apresenta-se Ele mesmo como manso e humilde:
Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve.” (Mt 11, 28-30)
Assim o Catecismo (§1832) nos relembra a mansidão como fruto do Espírito Santo:
Os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna. A Tradição da Igreja enumera doze: "caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade".

O QUE É A MANSIDÃO?

Num mundo onde há, se não uma ausência de valores, uma inversão completa deles, dificilmente se encontra lugar para o verdadeiro Bem, que não está em objeto ou homem qualquer, mas vem do alto. Por isso, talvez, a imagem do Cristo calado, tal qual cordeiro levado ao matadouro, é muito apreciada, mas dificilmente vivida, uma vez que o manso e humilde é tido como fraco e medíocre, ou ainda falso e resignado.
A virtude da mansidão parece, como tantas outras virtudes que deveríamos cultivar, fadada ao esquecimento e desprezo, já que não se vê como pode coadunar com o homem moderno e competitivo. É preciso um profundo senso cristão para compreender que a mansidão não é “a fraqueza de caráter que dissimula, sob exteriores adocicados, um profundo ressentimento. É uma virtude interna que reside ao mesmo tempo na vontade e na sensibilidade, para lá fazer reinar a serenidade e a paz, mas que se manifesta exteriormente, nas palavras e nos gestos, por maneiras afáveis.” (Adolph Tanquerey).
A mansidão proposta por Jesus nos leva à atitude de escuta da vontade de Deus para usarmos nossos talentos em bem do semelhante, aturando seus limites e cooperando com a superação de suas fraquezas. A pessoa nessa perspectiva aceita corrigir suas falhas e se coloca confiante nas mãos de Deus para realizar o bem. Longe de conformar-se com o erro, coloca-se no caminho de sua superação, fazendo a correção fraterna, mesmo correndo o risco de não ser aceita, como Jesus fez com os vendilhões do templo. A mansidão como virtude não se confunde com a inércia e a omissão. Faz a pessoa atuar e não ser vingativa, compreendendo os limites dos outros e cooperando com sua superação, com atitude de quem aceita o outro e tudo faz para o seu bem.

IRA: VÍCIO OPOSTO À MANSIDÃO

É sabido que toda virtude tem seu vício oposto, que é sufocado com a habitual prática do bem. Mas, neste caso, a teologia costuma indicar duas possibilidades para a ira:
- a que se submete à razão e é moderada por ela,
- e a que é movida pelas paixões e desordenada.
A ira que está em desacordo com a ordem da razão deseja o mal ao próximo, e é esta ira que conhecemos como vício capital, também chamada de iracúndia.
A ira por zelo, se moderada, é boa, mas deve-se ter extremo cuidado para que ela permaneça sempre escrava da razão, pronta a servi-la se necessário for. A ira apenas é boa e ordenada quando quer corrigir um vício e não visa a vingança e o dano alheio, mas unicamente a justa emenda das injúrias.
“A vida é uma viagem que temos que fazer para atingir o céu; não nos zanguemos no caminho uns contra os outros; andemos em companhia com nossos irmãos, em espírito de paz e amizade. Generalizando, aconselho-te: nunca por nada te exaltes, se for possível, e nunca, por pretexto algum, abras teu coração à ira; pois São  Tiago diz expressamente: a ira do homem não opera a justiça”(São Francisco de Sales).

QUEM AMA A JESUS CRISTO AMA A MANSIDÃO

Tomemos agora como objeto de estudo o capítulo quarto da obra de Santo Afonso Maria de Ligório: “A Prática do Amor a Jesus Cristo”, que aprofunda o tema da mansidão:

"A caridade é benigna". O espírito de mansidão é próprio de Deus. "Meu espírito é mais doce do que o mel". A pessoa que ama a Deus, ama a todos os que são amados por Deus, isto é, todos os homens. Por isso procura sempre socorrer, consolar, contentar a todos na medida do possível.
Eis o que diz São Francisco de Sales, mestre e modelo da mansidão: "A humilde mansidão é a virtude das virtudes que Deus tanto nos recomendou. É necessário praticá-la sempre e em toda parte". Dá-nos ainda a seguinte regra: "Quando vedes alguma coisa que se pode fazer com amor, fazei-o; o que não se pode fazer sem discussões, deixai-o”. Isso se refere ao que podemos deixar sem ofender a Deus, porque, quando existe ofensa a Deus, esta deve ser impedida sempre e depressa por aquele que é obrigado a impedi-la.
A mansidão deve ser praticada especialmente com os pobres, os quais normalmente, por causa da sua pobreza, são tratados asperamente pelos homens. Deve-se ainda usar da mansidão particularmente com os doentes que se encontram aflitos e, as mais das vezes, recebem pouco cuidado dos outros. Devemos exercer a mansidão principalmente com os inimigos. É preciso “vencer o mal com o bem", isto é, o ódio com o amor, a perseguição com a mansidão. Assim fizeram os santos e por esse meio conseguiram o afeto de seus maiores inimigos.

O EXEMPLO DE SÃO FRANCISCO DE SALES

“Diz São Francisco de Sales: "Não há nada que tanto edifique o próximo como a caridosa benignidade no trato". Ele tinha ordinariamente o sorriso nos lábios. “Sua aparência, suas palavras, suas maneiras respiravam mansidão”. São Vicente de Paulo afirmava jamais ter conhecido um homem mais manso, parecendo-lhe ver a imagem viva da bondade de Jesus Cristo. Mesmo quando sua consciência o obrigava a negar alguma coisa, o santo mostrava tanta benevolência com as pessoas, que elas iam embora contentes, embora não tivessem obtido o que desejavam. Era manso para com todos, com os superiores e com seus iguais, com seus inferiores, com as pessoas de casa e de fora. Era bem diferente dos que, segundo sua expressão, parecem anjos na rua e demônios em casa. No trato com seus empregados, não se queixava nunca de suas faltas; advertia-os apenas e sempre com bondade. Coisa muito louvável em todos os superiores!”
O superior deve usar de toda mansidão com os seus súditos. Ao lhes impor alguma coisa, deve antes pedir que mandar. Dizia São Vicente de Paulo “Para os superiores, não há melhor meio de se fazer obedecer do que a mansidão". "Experimentei todos os meios de governar - dizia Santa Joana de Chantal - e não encontrei nenhum melhor do que o modo bondoso e paciente".
São Francisco de Sales, por sua mansidão, alcançava dos outros tudo o que desejava. Assim conseguiu levar para Deus os pecadores mais endurecidos. A mesma coisa fazia São Vicente de Paulo que ensinava a seus missionários esta regra: "A afabilidade, o amor e a humildade têm uma força maravilhosa para ganhar os corações dos homens, e levá-los a abraçar as coisas mais desagradáveis à natureza humana". Uma vez mandou um grande pecador a um de seus padres para que o convertesse. Mas o missionário, vendo inúteis todos seus esforços, pediu ao santo que lhe dissesse alguma coisa. Ele o fez e o pecador se converteu. Este declarou depois que a singular bondade e extrema caridade do santo lhe ganharam o coração. Por isso o santo não admitia que seus missionários tratassem os seus penitentes com dureza, e lhes dizia que o espírito infernal se serve do rigor de alguns para causar maior dano às almas.
  
A BONDADE E A MANSIDÃO: FORMA CORRETA DE REPREENDER

“O superior deve mostrar-se benigno mesmo nas repreensões que tem a fazer. Uma coisa é repreender com energia e outra repreender com aspereza. É preciso, às vezes, repreender com energia, quando a falta é grave, principalmente em caso de repetição da falta e depois de a pessoa ter sido avisada. Mas evitemos repreender com aspereza e com raiva; quem repreende com raiva faz mais mal do que bem. Esse é o zelo errado que São Tiago reprova. Há quem se glorie de dominar assim sua família ou comunidade, e pensa que é assim que se deve governar. São Tiago não pensa assim: "Se tendes um zelo amargo, não vos glorieis”.
São Francisco de Sales dizia: “Assim como o óleo fica boiando quando despejado num copo de água, assim em todos nossos atos deve ficar por cima a bondade". Se a pessoa a ser repreendida está alterada, convém deixar a repreensão para outra hora e esperar que passe a raiva, caso contrário mais a irritaríamos. "Quando uma casa pega fogo não se deve jogar mais lenha na fogueira".
"Não sabeis de que espíritos sois". Foi esta a resposta que Jesus deu a Seus discípulos Tiago e João, quando eles queriam que fossem castigados os samaritanos, que os tinham expulsado da sua cidade:
- Que espírito é esse? Não é o Meu! O Meu espírito é de bondade e mansidão; "não vim para perder, mas para salvar as pessoas" e estais querendo que Eu as perca? Calai-vos e não Me façais semelhantes pedidos, porque não é esse o Meu espírito!
De fato, com que mansidão tratou Jesus a mulher adúltera:
- "Mulher, ninguém te condenou? Nem Eu te condenarei. Vai e não peques mais".
Contentou-Se apenas em admoestá-la a não mais pecar e a mandou em paz. Com quanta bondade procurou converter e converteu a samaritana. Começou pedindo-lhe água. Depois lhe disse:
- "Se soubesses quem é que te pede de beber!"
Em seguida revelou-lhe que era o Messias esperado.
Com quanta bondade procurou converter o traidor Judas. Deixou que ele comesse com Ele no mesmo prato. Lavou-lhe os pés e o admoestou no momento da traição:
- "Judas, é com um beijo que Me trais? Com um beijo trais o Filho do Homem?"
Como é que mais tarde converteu Pedro, depois de ter sido renegado por ele? "O Senhor voltou-Se e olhou para Pedro”. Ao sair da casa do pontífice, sem censurar o seu pecado, lançou sobre ele um olhar de ternura e o converteu. E converteu de tal forma que Pedro durante toda a vida não deixou de chorar a grave ofensa que fizera ao seu Mestre.”

CONSERVAR A MANSIDÃO

“É preciso praticar a benignidade com todos, em todas as circunstâncias e em todo o tempo. Adverte São Bernardo que alguns são mansos enquanto as coisas correm de acordo com sua vontade. Mas quando atingidos por alguma contrariedade ou dificuldade, logo se inflamam, e começam a fumegar como um vulcão. Pode-se chamá-los muito bem de carvões acesos escondidos debaixo de cinzas. Quem quer ser santo, deve ser nesta vida como o lírio entre espinhos. Embora nasça entre eles, não deixa de ser lírio, isto é, sempre igualmente suave e benigno! Quem ama a Deus conserva sempre a paz no coração e a deixa transparecer no rosto, apresentando-se sempre o mesmo, tanto nas dificuldades como na prosperidade: “As várias solicitações das criaturas não o perturbam na incessante luta da vida. Seu coração é como um santuário onde vive sempre em paz, unido a Deus". “
Quando nos acontece cometer alguma falta, é preciso que usemos de mansidão para conosco mesmos; irritar-se contra nós mesmos, após uma falta, não é humildade, mas refinada soberba, como se nós não fôssemos fracas e miseráveis criaturas. Dizia Santa Teresa: “A humildade de que inquieta nunca vem de Deus, mas do demônio”.
Zangar-se contra nós mesmos, após uma falta, é uma falta maior do que a cometida, e trará consigo muitas outras, pois nos fará deixar as práticas de piedade, a oração, a comunhão; e, se as fazemos, serão mal feitas. Dizia São Luís Gonzaga que não se enxerga na água turva e nela pesca o demônio. Uma alma perturbada pouco conhece a Deus e aquilo que deve fazer. É preciso, portanto, quando caímos em alguma falta, voltarmo-nos para Deus com humildade e confiança e, pedindo-Lhe perdão, dizer, como Santa Catarina de Gênova:
- Senhor, estas são as ervas do meu jardim!. Amo-Vos de todo o coração e me arrependo de Vos ter dado esse desgosto. Não quero mais fazê-lo, dai-me o Vosso auxílio.  

REC – REFLEXÕES E ESTUDOS CATÓLICOS – 01/08/2012


quarta-feira, 18 de julho de 2012

CASTIDADE



                                               
LOCAL: Capela Beato João Paulo II
A VIRTUDE DA CASTIDADE

“A castidade - a de cada um no seu estado: solteiro, casado, viúvo, sacerdote - é uma triunfante afirmação do amor.” (São Josemaria Escrivá).
É de suma importância ver a castidade como afirmação de amor, não meramente como negação do pecado da luxúria.
A castidade nos é dada como dom do Espírito Santo, primícia da Glória Eterna. Não é, portanto, como nos lembra o santo já citado, um fardo pesado, mas uma coroa triunfal para aqueles que se decidirem com firmeza a ter a vida limpa.
“Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados (Ef 5,1), é o que pede São Paulo nas Sagradas Escrituras. O mesmo afirma a Igreja, com seu Magistério infalível: ―todo batizado é chamado à castidade. O cristão se vestiu de Cristo‘, modelo de toda castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo seu específico estado de vida. No momento do Batismo, o cristão se comprometeu a viver sua afetividade na castidade.(Catecismo da Igreja Católica, 2348).

A VIVÊNCIA DA CASTIDADE

Adolph Tanquerey, em seu tratado de Teologia Ascética e Mística, A Vida Espiritual Explicada e Comentada, descreve quatro graus de prática da virtude castidade.
- O primeiro consiste em evitar consentir em qualquer pensamento, imaginação, sensação ou ação contrária à virtude.
- O segundo, indo além do apenas não consentir, busca afastar tais coisas, imediata e energicamente, não permitindo qualquer coisa que possa deslustrar o brilho desta virtude.
- Já no terceiro, adquirido após muita prática do amor de Deus, domina-se os pensamentos e sentidos a tal ponto que se pode falar sobre questões relativas à castidade aberta e serenamente, com grande paz.
- Por fim, à alguns poucos santos, por privilégio especial, é concedido não terem qualquer movimento desordenado. Por estes devemos dar glória ao Senhor, que manifesta sua grandeza e bondade com estas graças especiais dadas a poucos.

Podemos separar a vivência da castidade em três diferentes formas:

Castidade dos noivos

Afirma o Catecismo (2350): “Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade.”
A castidade na continência significa abster-se da relação sexual e dos prazeres sexuais desordenados até o matrimônio.

Castidade dos esposos

Afirma o Catecismo (2367-68): “A fidelidade exprime a constância em manter a palavra dada. Deus é fiel. O sacramento do Matrimônio faz o homem e a mulher entrarem na fidelidade de Cristo à sua Igreja. Pela castidade conjugal, eles testemunham este mistério perante o mundo.
Um aspecto particular desta responsabilidade diz respeito à regulação da procriação. Por razões justas, os esposos podem querer espaçar os nascimentos de seus filhos. Cabe-lhes verificar que seu desejo não provém do egoísmo, mas está de acordo com a justa generosidade de uma paternidade responsável. Além disso, regularão seu comportamento segundo os critérios objetivos da moral.”

- Fidelidade
Sobre isso são de muito proveito as palavras do Santo Padre, o Papa Bento XVI, quando se encontrou com os jovens no Brasil. Disse-lhes: “Tende, sobretudo, um grande respeito pela instituição do Sacramento do Matrimônio. Não poderá haver verdadeira felicidade nos lares se, ao mesmo tempo, não houver fidelidade entre os esposos. O matrimônio é uma instituição de direito natural, que foi elevado por Cristo à dignidade de Sacramento; é um grande dom que Deus fez à humanidade. Respeitai-o, venerai-o. Ao mesmo tempo, Deus vos chama a respeitar-vos também no namoro e no noivado, pois a vida conjugal que, por disposição divina, está destinada aos casados é somente fonte de felicidade e de paz na medida em que souberdes fazer da castidade, dentro e fora do matrimônio, um baluarte das vossas esperanças futuras.”

- Procriação
O Papa João Paulo II afirmou a totalidade da doação mútua que deve ter o casal: “esta totalidade, pedida pelo amor conjugal, corresponde também às exigências de uma fecundidade responsável, que, orientada como está para a geração de um ser humano, supera, por sua própria natureza, a ordem puramente biológica, e abarca um conjunto de valores pessoais, para cujo crescimento harmonioso é necessário o estável e concorde contributo dos pais.
Assim sendo, todo ato que vise por vias artificiais impedir o fim procriativo do ato conjugal, é grave ofensa a Deus, por desvirtuar o fim primordial desta união, impresso pelo próprio Deus desde a criação, que é a geração de filhos. Aos esposos é apenas lícito espaçar o nascimento dos filhos por justa causa, o que se dará somente através dos meios naturais que dispõem. Isso exigirá, certas vezes, períodos de continência, não deixando um pesado fardo apenas sobre um dos cônjuges. Exige cumplicidade, amor e respeito, fortalecendo os laços do matrimônio, que não se resumem ao ato sexual, “o que não conseguirá senão quem houver tomado o hábito de subordinar o prazer ao dever e de buscar na recepção freqüente dos sacramentos remédio para os apetites violentos da concupiscência.”

- A graça da castidade matrimonial
Para assegurar a vivência da castidade, contam os esposos com as graças específicas concedidas pelo Sacramento do Matrimônio. Além disso, devem buscar a prática conjunta de uma verdadeira devoção, especialmente através da oração em comum, pois por meio da oração poderão obter graças para superar todas as dificuldades e para nutrir eficazmente esta e todas as demais virtudes.
Tudo isso se resume nas palavras de São Paulo, ao dizer que a relação entre os esposos deve ser como a de Cristo com sua Igreja (Cf. Ef 5, 22-30). Que as mulheres se submetam aos seus maridos, não numa relação de escravidão, mas de confiança e amor, tal qual a Igreja se submete a Cristo. E que o marido se entregue por sua esposa, e a ame como Cristo amou a Igreja.

Celibato

Muitos são levados por Deus a abrirem mão deste bem que é o matrimônio por algo muito maior. São aqueles que “se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus” (Mt 19,12). Neste sentido, continua o Papa Paulo VI na Encíclica acima citada: “Mas Cristo, Mediador dum Testamento mais excelente (Hb 8,6), abriu também novo caminho, em que a criatura humana, unindo-se total e diretamente ao Senhor e preocupada apenas com Ele e com as coisas que lhe dizem respeito (1Cor 7,33-35), manifesta de maneira mais clara e completa a realidade profundamente inovadora do Novo Testamento
“A sagrada virgindade e a perfeita castidade consagrada ao serviço de Deus contam-se sem dúvida entre os mais preciosos tesouros deixados como herança à Igreja pelo seu Fundador (Sua Santidade o Papa Pio XII, Carta Encíclica Sacra Virginitas). Desde os primeiros cristãos, este tesouro foi cultivado, havendo abundantes testemunhos dos Santos Padres sobre sua importância. Ele é guardado não somente por sacerdotes e religiosos, mas por uma legião de leigos.
A entrega da virgindade a Deus encontra fundamento nas palavras de Nosso Senhor, quando feita “por amor do Reino dos Céus (Mt 19,12). Desta forma, como já nos falava São Paulo, pode o cristão cuidar inteiramente das coisas de Deus, sem que fique divido com os cuidados que requer a vida conjugal (Cf. 1Cor 7,32-35).
É certo que o matrimônio é um bem, ou jamais teria sido elevado à dignidade sacramental. Entretanto, a virgindade ou celibato são mais excelentes que o matrimônio, porque é da sua consagração a Deus que vem sua dignidade, e não de si mesmos. Todos devemos buscar a fuga do pecado e a prática das virtudes, mas abrir mão de um ato lícito e bom, como é o matrimônio e a geração de filhos, encontra maior mérito diante de Deus. São “duas obras, da qual uma é boa e outra melhor, e ―a glória deste maior bem não se baseia em que se evita o pecado do matrimônio, mas pelo fato de ultrapassar o bem do matrimônio(AGOSTINHO, Santo: A Santa Virgindade. São Paulo: Paulus, 2000. p. 120 e 123).
Isso também decretou o Sacrossanto Concílio de Trento, ao estabelecer que “se alguém disser que o estado conjugal deve ser preferido ao estado de virgindade ou celibato, e que não é melhor ou mais valioso permanecer na virgindade ou celibato do que unir-se em matrimônio: seja anátema (Denzinger 1810, Concílio de Trento, Sess. XXIV, cân.10).
Assim, o dom da procriação não é vital ao ser humano, não constituindo uma necessidade. A perfeita castidade abstém-se deste dom, vivendo a perpétua continência, tendo em vista ocupar-se mais do bem divino. E nisso auxilia a constante educação do corpo, para que tenha somente o necessário e nunca atraiçoe, como meio para exercitar o controle de si e poder viver fielmente neste estado.
“O coração do homem é feito para amar; o sacerdócio ou o estado religioso não nos tira este lado afetuoso da nossa natureza, mas ajuda-nos a sobrenaturalizá-los. Se amarmos a Deus com toda a alma, se amarmos a Jesus sobre todas as coisas, sentiremos muito menos o desejo de nos expandir sobre as criaturas. [...] Em presença daquele que possui a plenitude da beleza, da bondade e do poder, todas as criaturas desaparecem e não têm encanto (TANQUEREY, Adolph: A Vida Espiritual Explicada e Comentada. Anápolis: Aliança Missionária Eucarística Mariana, 2007. p. 580).
  
PECADOS CONTRA A CASTIDADE SEGUNDO O CATECISMO

A luxúria é um desejo desordenado ou um gozo desregrado do prazer venéreo. O prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo, isolado das finalidades de procriação e de união.
Por masturbação se deve entender a excitação voluntária dos órgãos genitais, a fim de conseguir um prazer venéreo. "Na linha de uma tradição constante, tanto o magistério da Igreja como o senso moral dos fiéis afirmaram sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado." Qualquer que seja o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das relações conjugais normais contradiz sua finalidade. Aí o prazer sexual é buscado fora da "relação sexual exigida pela ordem moral, que realiza, no contexto de um amor verdadeiro, o sentido integral da doação mútua e da procriação humana".
Para formar um justo juízo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos e orientar a ação pastoral, dever-se-á levar em conta a imaturidade afetiva, a força dos hábitos contraídos, o estado de angústia ou outros fatores psíquicos ou sociais que minoram ou deixam mesmo extremamente atenuada a culpabilidade moral.
A fornicação é a união carnal fora do casamento entre um homem e uma mulher livres. É gravemente contrária à dignidade das pessoas e da sexualidade humana, naturalmente ordenada para o bem dos esposos, bem como para a geração e a educação dos filhos. Além disso, é um escândalo grave quando há corrupção de jovens.
A pornografia consiste em retirar os atos sexuais, reais ou simulados, da intimidade dos parceiros para exibi-los a terceiros de maneira deliberada. Ela ofende a castidade porque desnatura o ato conjugal, doação íntima dos esposos entre si. Atenta gravemente contra a dignidade daqueles que a praticam (atores, comerciantes, público), porque cada um se torna para o outro objeto de um prazer rudimentar e de um proveito ilícito, Mergulha uns e outros na ilusão de um mundo artificial. É uma falta grave. As autoridades civis devem impedir a produção e a distribuição de materiais pornográficos.
A prostituição vai contra a dignidade da pessoa que se prostitui, reduzida, assim, ao prazer venéreo que dela se obtém. Aquele que paga peca gravemente contra si mesmo; viola a castidade à qual se comprometeu em seu Batismo e mancha seu corpo, templo do Espírito Santo. A prostituição é um flagelo social. Envolve comumente mulheres, mas homens, crianças ou adolescentes (nestes dois últimos casos, ao pecado soma-se um escândalo). Se é sempre gravemente pecaminoso entregar-se à prostituição, a miséria, a chantagem e a pressão social podem atenuar a imputabilidade da falta.
O estupro designa a penetração à força, com violência, na intimidade sexual de uma pessoa. Fere a justiça e a caridade. O estupro lesa profundamente o direito de cada um ao respeito, à liberdade, à integridade física e moral. Provoca um dano grave que pode marcar a vítima por toda a vida. É sempre um ato intrinsecamente mau. Mais grave ainda é o estupro cometido pelos pais (incesto) ou educadores contra as crianças que lhes são confiadas.
A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.
Os pecados contra a castidade são matéria grave.

                                                       REC – Reflexões e Estudos CATÓLICOS (18/07/2012)


quinta-feira, 5 de julho de 2012

SANTOS DOUTORES


                                                                                  LOCAL: Capela Beato João Paulo II
TEMA: SANTOS DOUTORES

                                O QUE SIGNIFICA SER DOUTOR DA IGREJA?
 Dentre seus milhares de santos e santas, a Igreja, até o presente momento, conferiu (desde 1298) apenas a trinta e três deles o título de “Doutor da Igreja”. A honra de ser Doutor da Igreja ultrapassa as linhas acadêmicas, pois diz respeito à vivência de uma rica espiritualidade que, de alguma maneira, contribuiu para que a Igreja compreendesse melhor o Mistério.
Ao longo de sua história, a Igreja contou com inúmeros exemplos de santidade e intimidade com Deus. No entanto, alguns destes santos se destacaram por terem vivenciado uma experiência espiritual tão profunda a ponto de conceder a Igreja, através de seus escritos e pensamentos, uma nova visão sobre determinada parte dos mistérios de Deus. Segundo o Papa João Paulo II, quando o Magistério proclama alguém Doutor da Igreja, tem em vista indicar a todos os fiéis que a doutrina professada e proclamada por uma determinada pessoa pode ser um ponto de referência, não só porque está em conformidade com a verdade revelada, mas também porque traz nova luz acerca dos mistérios da fé, uma compreensão mais profunda do mistério de Cristo.

                              ALGUNS EXEMPLOS DE SANTOS DOUTORES
 Santo Éfrem
 Este Doutor da Igreja, nascido no ano de 306 na cidade de Nisibi, atual Turquia, se caracteriza pela sua incrível capacidade de conciliar poesia e teologia. Por este motivo, ficou conhecido como “harpa do Espírito Santo”. O Papa Bento XVI afirmou a seu respeito: “Ao aproximar-nos de sua doutrina, temos de insistir desde o início nisso: ele faz teologia de forma poética. A poesia lhe permite aprofundar na reflexão teológica através de paradoxos e imagens. Ao mesmo tempo, sua teologia se torna liturgia, se torna música: de fato, era um grande compositor, um músico”. Suas poesias eram tão envolventes que se espalharam por todo o Oriente. Somente à Virgem Maria dedicou mais de vinte poemas.
Era diácono quando morreu em 373, e foi declarado Doutor da Igreja no ano de 1920 pelo Papa Bento XV.

Santo Agostinho
Nascido no ano de 354, em Tagaste, na Argélia, Santo Agostinho é um ícone da filosofia não só para os católicos como para todos os estudiosos da religião. Converteu-se ao cristianismo devido às orações e apelos de sua mãe, Santa Mônica e, desde então, tornou-se um dos maiores pensadores da era cristã. Foi ordenado bispo e até hoje é conhecido como o “Doutor da Graça”, tão profundas são suas reflexões sobre o tema. “Convertido a Cristo, que é verdade e amor, Agostinho o seguiu durante toda a vida e se converteu em um modelo para todo ser humano, para todos nós na busca de Deus”, disse o Papa Bento XVI a respeito deste santo, que é seu santo de devoção.
Santo Agostinho deixou célebres escritos, dentre eles, a famosa autobiografia “Confissões”, onde narra em perspectiva teológica toda sua vida desde a concepção.
Agostinho, que antes de sua conversão abraçara diversas correntes filosóficas, combateu muitas heresias após se aprofundar no conhecimento de Cristo, dada sua enorme capacidade intelectual.
Um dos escritos mais belos do santo é o poema “Tarde te amei”, que praticamente resume sua história:
“Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova!
Tarde demais eu te amei!
Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora!
Eu, disforme, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas.
Estavas comigo, mas eu não estava contigo.
Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que não existiriam se em ti não existissem.
Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez.
Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira.
Espargiste tua fragrância e, respirando-a, suspirei por ti.
Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz...”

Conta a Tradição que, certa vez, Santo Agostinho caminhava à beira mar pensando sobre o Mistério da Santíssima Trindade, quando avistou um menino que, com uma concha, colocava água num buraquinho que havia feito na areia. Aproximando-se, Agostinho perguntou: “Que estais fazendo?”. O menino lhe respondeu: “Estou colocando o mar nesse buraco”. “Tu não percebes que isso é impossível mesmo que trabalhes toda a vida? O mar é infinitamente grande. Jamais o irás conseguir colocar aí todo dentro desse pequeno buraco…”, disse o santo. Então, o menino, que na verdade era um anjo, lhe respondeu: “É mais fácil colocar toda a água do mar aqui dentro deste buraco que o homem conseguir entender o mistério da Santíssima Trindade”.

São Tomás de Aquino
Chamado de “Doutor Angélico”, São Tomás de Aquino é considerado pela Igreja como o “mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios”. Para se ter uma ideia da importância de seus escritos para o estudo teológico, basta saber que durante o Concílio de Trento sua obra mais importante, a “Suma Teológica” foi colocada ao lado da Sagrada Escritura para simbolizar que era à luz da filosofia de São Tomás que a Bíblia deveria ser interpretada.
Nascido numa família rica no ano de 1224, deixou tudo para se tornar religioso. Apesar de muito concentrado nos estudos acerca de Deus, não deixava de se dedicar à vivência da espiritualidade. Por vezes, ao se deparar com alguma questão difícil a respeito de Deus, colocava sua cabeça dentro de um sacrário como que para ser iluminado pelo Senhor. Profundamente eucarístico, Tomás de Aquino escreveu diversos hinos de adoração. Quando o Papa Urbano IV criou a Festa de Corpus Christi, pediu que São Tomás de Aquino e São Boaventura escrevessem, cada um, o hino a ser proclamado na solenidade. No dia da apresentação, São Boaventura, depois de ouvir os versos feitos por Tomás, simplesmente rasgou o poema que tinha escrito em sinal de profunda admiração.
O Papa Bento XVI refere-se a São Tomás recordando um dos acontecimentos mais marcantes de sua vida: “A vida e o ensinamento de São Tomás de Aquino poderia se resumir em um episódio apanhado pelos biógrafos antigos. Enquanto o santo, como era seu costume, estava em oração perante o crucifixo, pelo início da manhã na Capela de São Nicolau, em Nápoles, Domingo de Caserta, o sacristão da igreja, sentiu desenvolver-se um diálogo. Tomás perguntava, preocupado, se o que havia escrito sobre os mistérios da fé cristã estava correto. E o Crucifixo respondeu: ‘Tu tens falado bem de mim, Tomás. Qual será tua recompensa?’. E a resposta que Tomás deu é a que nós também, amigos e discípulos de Jesus, sempre quisemos dizer: ‘Nada mais que Tu, Senhor’”.

Santa Catarina de Sena
Nasceu em Sena, na Itália, no ano de 1347, uma época em que a Igreja atravessava um período muito difícil. Santa Catarina, que figura entre as três mulheres doutoras da Igreja, era analfabeta. Seus escritos e cartas eram ditados e então enviados às autoridades, papas e seguidores. As extraordinárias experiências místicas de Catarina conferiram-lhe o título de Doutora. Sua obra: “O Diálogo”, apresenta a vida espiritual do homem em forma de conversas entre a alma humana e Deus Pai. Desde pequena Catarina tinha visões e fazia penitências e, aos 16 anos, entrou para a Ordem Terceira de São Domingos. Sofria de muitas doenças e praticamente não se alimentava, com exceção da Eucaristia.
Santa Catarina de Sena era privilegiada com o dom especial de sentir o denominado "horror ao pecado". Recair em alguma falta ou ofender a Deus eram-lhe mais repugnantes que qualquer outra coisa. Para ela, era preferível acordar com o corpo coberto de lepra que ofender de alguma maneira o amor de Deus. Pela graça, sentia até mesmo mau cheiro quando se deparava com orgulho, amor próprio, concupiscências. O pecado era para ela mais repugnante que qualquer podridão física, de modo que os sentia tão intensamente a ponto de chegar ao desmaio.
Um dos episódios mais impressionantes da vida da santa aconteceu quando tinha apenas 20 anos. Ela, em oração, durante o carnaval de 1367, pedia incessantemente a Cristo: "Casa comigo na fé!". Então, eis que lhe apareceu o Senhor e lhe disse: "Agora que os outros estão a divertir-se eu estabeleço celebrar contigo a festa da tua alma". Logo após, apareceu então a corte celeste, com os santos que Catarina mais amava. A Virgem Maria, ali presente, pegou então a mão da jovem e a uniu à mão de seu Filho. Jesus, então, coloca no dedo de Catarina um anel luminoso (que ela, e somente ela, continuou a ver durante toda sua vida) e disse-lhe: "Eu te esposo a Mim na fé, a Mim o teu Criador e Salvador. Conservarás imaculada esta fé enquanto não vieres para o céu celebrar Comigo as bodas eternas". Estava selada a aliança. Observando este casamento místico, compreende-se melhor de onde Catarina retirava suas inspirações. Seus escritos extremamente corajosos desafiavam a própria Igreja a rever algumas atitudes. Catarina de Sena é a prova maior que um Doutor da Igreja é qualificado pela graça divina, sendo o conhecimento acadêmico, neste caso, totalmente secundário.

Santa Teresa de Lisieux
Conhecida também como Santa Teresinha do Menino Jesus, é uma das mais populares santas do mundo. Nascida em 1873 em Aleçon, na França, entrou para a Ordem Carmelita com apenas 15 anos. Foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II em 1997 e é a mais jovem de todos os Doutores. Viveu apenas 24 anos, mas deixou um legado de ricas experiências espirituais. Desenvolveu a chamada "infância espiritual", percurso por onde vivia sua fé fazendo-se uma criança nos braços do Pai. Mesmo sem nunca ter saído dos muros do Carmelo, é considerada padroeira das Missões, pois alcançou toda a Igreja, especialmente os sacerdotes, com sua intercessão ainda em vida. Em sua autobiografia, "História de uma Alma", Teresa revela-se uma jovem humilde diante de Deus, sempre disposta a fazer dos pequenos sacrifícios, vias para agradar a Deus e elevar sua alma à perfeita santidade.
Muito admirada por toda a Igreja, Teresinha já foi considerada pelo Papa Pio X como "a maior santa dos tempos modernos".

                                      OS 33 DOUTORES DA IGREJA
      1.   Santo Afonso de Ligório
2.   Santo Agostinho
3.   Santo Alberto Magno
4.   Santo Ambrósio
5.   Santo Anselmo
6.   Santo Antônio de Pádua
7.   Santo Atanásio
8.   São Basílio Magno
9.   São Beda Venerável
10. São Bernardo
11. São Boaventura
12. Santa Catarina de Sena
13. São Cirilo de Alexandria
14. São Cirilo de Jerusalém
15. Santo Efrém
16. São Francisco de Sales
17. São Gregório Magno
18. São Gregório Nazianzeno
19. Santo Hilário de Poitiers
20. Santo Isidoro
21. São Jerônimo
22. São João Crisóstomo
23. São João da Cruz
24. São João Damasceno
25. São Leão Magno
26. São Lourenço Brindsi
27. São Pedro Canísio
28. São Pedro Crisólogo
29. São Pedro Damião
30. São Roberto Belarmino
31. Santa Teresa de Ávila
32. Santa Teresa de Lisieux
33. São Tomás de Aquino

                                                  NOVOS DOUTORES
No próximo dia 7 de outubro, o Papa Bento XVI irá nomear dois novos santos doutores: São João D’Ávila e Santa Hildegarda de Bingen.

                                                   REC – REFLEXÕES E ESTUDOS CATÓLICOS – 04/07/2012