domingo, 20 de maio de 2012

PECADO


           LOCAL: Capela Beato João Paulo II
TEMA: PECADO
"É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados. Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido."
(Nossa Senhora em Fátima, outubro de 1917)

O QUE É O PECADO?
“O pecado é ofensa a Deus: "Pequei contra ti, contra ti somente; pratiquei o que é mau aos teus olhos" (Sl 51,6). O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele os nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus, por vontade de tornar-se "como deuses", conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3,5). O pecado é, portanto, "amor de si mesmo até o desprezo de Deus".” (CIC §1850)
A doutrina católica distingue o pecado em 3 categorias: o pecado original, o pecado mortal e o pecado venial.
“O homem, quando peca, diz a Deus com as suas obras: Afasta-Te de mim, não Te quero obedecer, nem servir, nem reconhecer por meu Senhor, nem ter por meu Deus. O meu Deus é o prazer, o interesse, a vingança.” (Santo Afonso de Ligório)

PECADO ORIGINAL
“De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? O gênero humano inteiro é em Adão "como um só corpo de um só homem". Em virtude desta "unidade do gênero humano", todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos estão implicados na justiça de Cristo. Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Sabemos, porém, pela Revelação, que Adão havia recebido a santidade e a justiça originais não exclusivamente para si, mas para toda a natureza humana: ao ceder ao tentador, Adão e Eva cometem um pecado pessoal, mas este pecado afeta a Natureza humana, que vão transmitir em um estado decaído. É um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira, isto é, pela transmissão de uma natureza humana privada da santidade e da justiça originais. E é por isso que o pecado original é denominado "pecado" de maneira analógica: é um pecado "contraído" e não "cometido", um estado e não um ato.” (CIC §404)

EFEITOS DO BATISMO EM RELAÇÃO AO PECADO
Apaga totalmente da alma o pecado original e todos os pecados atuais, antes cometidos; esses pecados não são apenas cobertos, mas apagados de fato, e de forma definitiva. Assim o definiu expressamente o Concílio de Trento.
Perdoa toda a pena devida pelos pecados, tanto a temporal como a eterna. De modo que se um pecador recebe o Batismo no momento da morte, entra imediatamente no Céu, sem passar pelo Purgatório. Foi o que ensinou o Concílio de Florença e o de Trento definiu.
Quanto às crianças mortas sem Batismo, a liturgia da Igreja convida-nos a ter confiança na misericórdia divina e a orar pela salvação delas.
  
DIFERENÇA ENTRE PECADO MORTAL E VENIAL
“Considerando o pecado, ademais, sob o aspecto da pena que implica, Santo Tomás com outros doutores, chama mortal ao pecado que, se não for remido, faz contrair uma pena eterna; venial, ao pecado que merece uma simples pena temporal (quer dizer, parcial e expiável na terra ou no Purgatório).” (Papa João Paulo II, 2 de Dezembro  de 1984)

PECADO VENIAL
“Comete-se um pecado venial quando não se observa, em matéria leve, a medida prescrita pela lei moral, ou então quando se desobedece à lei moral em matéria grave, mas sem pleno conhecimento ou sem pleno consentimento.” (CIC §1862)
Apesar e não ser estritamente necessária, a confissão das faltas cotidianas (pecados veniais) é vivamente recomendada pela Igreja. Com efeito, a confissão regular de nossos pecados veniais nos ajuda a formar a consciência, a lutar contra nossas más tendências, a deixar-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito. (CIC §1458)
O pecado venial enfraquece a caridade; traduz uma afeição desordenada pelos bens criados; impede o progresso da alma no exercício das virtudes e a prática do bem moral; merece penas temporais. O pecado venial deliberado e que fica sem arrependimento dispõe-nos pouco a pouco a cometer o pecado mortal. Mas o pecado venial não quebra a aliança com Deus. É humanamente reparável com a graça de Deus. "Não priva da graça santificante, da amizade com Deus, da caridade nem, por conseguinte, da bem-aventurança eterna."
O homem não pode, enquanto está na carne, evitar todos os pecados, pelo menos os pecados leves. Mas esses pecados que chamamos leves, não os consideras insignificantes: se os consideras insignificantes ao pesá-los, treme ao contá-los. Um grande número de objetos leves faz uma grande massa; um grande número de gotas enche um rio; um grande número de grãos faz um montão. Qual é então nossa esperança? Antes de tudo, a confissão... (CIC §1863)

PECADO MORTAL
“Não podemos estar unidos a Deus se não fizermos livremente a opção de amá-lo. Mas não podemos amar a Deus se pecamos gravemente contra Ele, contra nosso próximo ou contra nós mesmos: "Aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia seu irmão é homicida; e sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele" (1 Jo 3,14-15). Nosso Senhor adverte-nos de que seremos separados dele se deixarmos de ir ao encontro das necessidades graves dos pobres e dos pequenos que são seus irmãos. Morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de Deus significa ficar separado do Todo-Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa com a palavra "inferno".” (CIC §1033)

CONDIÇÕES PARA SE PECAR MORTALMENTE
Todo o pecado é uma transgressão da lei de Deus; mas, para ser mortal, é necessário que essa transgressão corresponda a três condições; faltando ainda que seja uma só delas, já não é mortal.
A transgressão deve ser:
1) Em matéria grave. Isto sucede quando se viola um ponto importante da Lei de Deus. “A matéria grave é precisada pelos Dez mandamentos, segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: "Não mates, não cometas adultério, não roubes, não levantes falso testemunho, não dó fraudes ninguém, honra teu pai e tua mãe" (Mc 10,19). A gravidade dos pecados é maior ou menor: um assassinato é mais grave que um roubo. A qualidade das pessoas lesadas é levada também em consideração. A violência exercida contra os pais é mais grave que contra um estranho.” (CIC §1858)

2) Com plena advertência. Há plena advertência, quando sabemos que o que estamos para fazer ou para omitir é gravemente proibido ou ordenado. Não é necessário pensar no mal do pecado; basta saber que se faz coisa gravemente má. Falta a plena advertência quando se age por distração, com o espírito confuso, entre o sono e a vigília, etc. Nestes casos o pecado já não é mortal. Se a advertência falta completamente, não há pecado algum;

3) Com consentimento deliberado; isto é, quando se sabe que uma coisa é má, e, todavia, se faz voluntariamente. As paixões, e especialmente o temor, a ira, a provocação grave podem diminuir a força da vontade, atenuando a culpa, e torná-la à vezes até venial. Falta também o consentimento deliberado quando alguém age constrangido pela violência física. (exemplo: uma mulher que foi estuprada não pecou cometeu pecado).

PECADOS GRAVES CITADOS NO CATECISMO

- Ato sexual fora do Matrimônio, assim como masturbação e adultério.
- Blasfêmia contra o Espírito Santo (quem se nega a acolher a misericórdia de Deus)
- Blasfêmia (proferir contra Deus interior ou exteriormente - palavras de ódio, de ofensa, de desafio, em falar mal de Deus, faltar-lhe deliberadamente com o respeito ao abusar do nome de Deus). A proibição da blasfêmia se estende às palavras contra a Igreja de Cristo, os santos, as coisas sagradas.
- Homicídio (O assassino e os que cooperam voluntariamente com o assassinato cometem um pecado que clama ao céu por vingança. Preocupações de eugenismo ou de higiene pública não podem justificar nenhum assassinato, mesmo a mando dos poderes públicos.)
- Inveja (Quando deseja um grave mal ao próximo, é um pecado mortal)
- Ira (Se a cólera chega ao desejo deliberado de matar o próximo ou de feri-lo com gravidade)
- Maldade (O pecado por malícia, por opção deliberada do mal, é o mais grave.)
- Mentira (A gravidade da mentira se mede segundo a natureza da verdade que ela deforma, de acordo com as circunstâncias, as intenções daquele que a comete, os prejuízos sofridos por aqueles que são suas vítimas. Embora a mentira, em si, não constitua senão um pecado venial, torna-se mortal quando fere gravemente as virtudes da justiça e da caridade.)
- Ódio (O ódio ao próximo é um pecado quando o homem quer deliberadamente seu mal. O ódio ao próximo é um pecado grave quando se lhe deseja deliberadamente um grave dano.)
- Sacrilégio (profanar ou tratar indignamente os sacramentos e as outras ações litúrgicas, bem como as pessoas, as coisas e os lugares consagrados a Deus. O sacrilégio é um pecado grave, sobretudo quando cometido contra a Eucaristia, pois neste sacramento o próprio Corpo de Cristo se nos torna substancialmente presente.)
- Transgressão da obrigação de participar da Eucaristia nos dias de preceito (a não ser por motivo grave)

EFEITOS DO PECADO MORTAL NA ALMA DO PECADOR
“O pecado mortal destrói a caridade no coração do homem por uma infração grave da lei de Deus; desvia o homem de Deus, que é seu fim último e sua bem-aventurança, preferindo um bem inferior.”
O pecado venial deixa subsistir a caridade, embora a ofenda e fira.
“O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, como o próprio amor. Acarreta a perda da caridade e a privação da graça santificante, isto é, do estado de graça. Se este estado não for recuperado mediante o arrependimento e o perdão de Deus, causa a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, já que nossa liberdade tem o poder de fazer opções para sempre, sem regresso. No entanto, mesmo podendo julgar que um ato é em si falta grave, devemos confiar o julgamento sobre as pessoas à justiça e à misericórdia de Deus.” (§1855 e 1861)
Por um só pecado mortal:
- Milhões de anjos do Paraíso converteram-se em horríveis demônios, por toda a eternidade.
- Foram expulsos do Paraíso terrestre os nossos primeiros pais, Adão e Eva, submergindo a humanidade num mar de lágrimas e doenças, guerras e mortes.
- Serão mantidos no Inferno, por toda a eternidade, os culpados a quem a morte surpreende em pecado mortal.
Eis os efeitos que o 'pecado mortal' produz na alma do pecador:
1. Perda da Graça santificante, das virtudes infusas e dons do Espírito Santo.
Priva a alma da Graça de Deus e da amizade de Deus.
2. Perda de presença amorosa da Santíssima Trindade na alma.
3. Perda dos méritos adquiridos em toda a vida passada, tornando-a incapaz de adquirir novos méritos.
4. Feiíssima mancha na alma, que a deixa tenebrosa e horrível, à Visão Divina.
5. Torna a alma escrava de Satanás, aumento das más inclinações e remorsos de consciência.
6. Fá-la merecer o Inferno, e também os castigos desta vida.

O pecado mortal é o Inferno em potência. É um verdadeiro suicídio da alma e da vida da Graça de Deus em nós.

MORTE EM PECADO MORTAL
“O ensinamento da Igreja afirma a existência e a eternidade do inferno. As almas dos que morrem em estado de pecado mortal descem imediatamente após a morte aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno". A pena principal do Inferno consiste na separação eterna de Deus, o Único em quem o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e às quais aspira.” (CIC §1035)
O Papa Gregório X que presidiu o Concílio de Lyon II em 1274 declarou ex-catedra que: ”As almas daqueles que morrem em pecado mortal ou apenas com o pecado original, em qualquer caso, descem imediatamente ao inferno, embora punidos com diferentes castigos.” (Denzinger, Fontes do Dogma Católico) afirmação que foi repetida pelo Papa João XXII em 1321.

É BOM PREPARAR-SE PARA UMA SANTA MORTE
Ensina o catecismo: “A Igreja nos encoraja à preparação da hora de nossa morte "Livra-nos, Senhor, de uma morte súbita e imprevista": antiga ladainha de todos os santos, a pedir à Mãe de Deus que interceda por nós "na hora de nossa morte" (oração da "Ave-Maria") e a entregar-nos a São José, padroeiro da boa morte:
“Em todas as tuas ações, em todos os teus pensamentos deverias comportar-te como se tivesses de morrer hoje. Se tua consciência estivesse tranqüila, não terias muito medo da morte. Seria melhor evitar o pecado que fugir da morte. Se não estás preparado hoje, como o estarás amanhã?” (Imitação de Cristo)
“Louvado sejais, meu Senhor, por nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. Ai dos que morrerem em pecado mortal, felizes aqueles que ela encontrar conforme a vossa santíssima vontade, pois a segunda morte não lhes fará mal.” (São Francisco de Assis)”

VISÕES DO INFERNO
Santa Faustina descreveu o inferno como segue:
"Hoje fui dirigida por um Anjo aos abismos do inferno. É um lugar de grande tortura; como terrivelmente grande e extenso é! As espécies de torturas eu vi:

·         A primeira tortura que constitui o inferno é a perda de Deus;
·         Segunda é o remorso perpétuo da consciência;
·         Terceira é que aquela condição nunca mudará;
·         Quarta é o fogo que penetrará na alma sem destruí-la—um sofrimento terrível, como é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus;
·         Quinta tortura é a escuridão ininterrupta e um terrível e sufocante odor. Apesar da escuridão, os demônios e as almas dos condenados vêem todos os males, os próprios e dos outros;
·         Sexta tortura é a companhia constante de Satanás;
·         Sétima é o desespero horrível, aversão de Deus, palavras vis, maldições e blasfêmias.

Estas são as torturas sofridas por todos os condenados, mas isto não é o fim dos sofrimentos. Há torturas especiais dos sentidos. Cada alma sofre sofrimentos indescritíveis, terríveis, relacionados à maneira com que se pecou. Há cavernas e fossas de tortura onde uma forma de agonia difere da outra. Teria morrido na mesma visão destas torturas se a onipotência de Deus não tivesse me apoiado. Escrevo isto no comando de Deus, de modo que nenhuma alma pode achar uma desculpa por dizer não há inferno, nem que ninguém jamais esteve lá e por isso não se pode dizer como ele é".

“Tenhamos sempre horror ao pecado mortal e nunca deixemos de caminhar na estrada da santa eternidade.” (Padre Pio)

REC – REFLEXÕES E ESTUDOS CATÓLICOS – 02/05/2012

terça-feira, 1 de maio de 2012


LOCAL: Capela Beato João Paulo II
TEMA: AS VIRTUDES TEOLOGAIS – FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE 
“Ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo o que há de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça louvor" (Fl 4,8).

                                     O QUE SÃO AS VIRTUDES TEOLOGAIS?
A virtude é uma disposição habitual e firme de fazer o bem.
Há virtudes sobrenaturais e virtudes humanas. Na Igreja Católica, a partir das Escrituras, e por antiga tradição patrística e mística, a teologia cristã distingue:
- as virtudes sobrenaturais ou infusas, que incluem as virtudes teologais;
- e as virtudes humanas, que incluem as virtudes morais e todas as demais.
A virtude sobrenatural é uma qualidade que Deus mesmo infunde na alma, pela qual se tem propensão, facilidade e prontidão para conhecer e praticar o bem, em ordem da vida eterna. As virtudes teologais são sobrenaturais e têm por origem, motivo e objeto imediato o próprio Deus. Os cristãos acreditam que elas são infundidas na pessoa humana através do Batismo. Mesmo uma criança, se estiver batizada, possui as três virtudes, ainda que não seja capaz de praticá-las enquanto não chegar ao uso da razão.
O Catecismo nos ensina que as virtudes teologais (fé, esperança e caridade) são “o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano”.
Elas são essencialmente sobrenaturais, pois, além de serem dons divinos, dirigem-se a Deus nos seus atos.
O fundamento das três virtudes teologais encontra-se no texto bíblico de 1Cor 13,13: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor”.         Sem elas, é impossível agradar a Deus ou alcançar a salvação.

            A FÉ
A fé é a virtude teologal pela qual cremos em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer, porque Ele é a própria verdade. Pela fé, o homem livremente se entrega todo a Deus. Por isso o fiel procura conhecer e fazer a vontade de Deus.  O dom da fé permanece naquele que não pecou contra ela. Mas "é morta a fé sem obras" (Tg 2,26): privada da esperança e do amor, a fé não une plenamente o fiel a Cristo e não faz dele um membro vivo de seu Corpo.
O discípulo de Cristo não deve apenas guardar a fé e nela viver, mas também professá-la, testemunhá-la com firmeza e difundi-la: "Todos devem estar prontos a confessar Cristo perante os homens e segui-lo no caminho da Cruz, entre perseguições que nunca faltam à Igreja.” (CIC §1814 a 1816)
Peca contra a Fé, principalmente, quem admite dúvidas contra aquilo que aprendemos da Santa Igreja Católica. Hoje é comum ouvir: eu sou católico, mas não acredito nesse ponto ou naquele. Há muitos que não acreditam na Palavra de Deus, que não acreditam no inferno ou no demônio. Outros não creem mais na presença real de Jesus na Eucaristia. Eles escolhem dos dogmas católicos os que lhes convém. É esse  o sentido da palavra heresia: escolher, separar por opiniões próprias.
Mas aqueles que escolhem alguns pontos do Depósito Sagrado e rechaçam outros não têm mais fé, deixam de ser católicos. Isso é muito sério e se explica: o fundamento da Fé não é a evidência científica das verdades reveladas, mas sim o fato de serem reveladas por Deus. É o princípio de autoridade que fundamenta a Fé. Ora, se uma pessoa nega um dos pontos que seja, está recusando a autoridade daquele que revela. Passa a aceitar os demais pontos, não porque Deus é infalível, mas  porque lhe interessa aceitar. A própria pessoa passa a ser o critério da verdade, o que faz dela seu próprio deus. E ela não é mais católica.

                                                      A ESPERANÇA
A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. "Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa" (Hb 10,23). 
A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna.
A esperança cristã se manifesta desde o inicio da pregação de Jesus no anúncio das bem-aventuranças. As bem-aventuranças elevam nossa esperança ao céu, como para a nova Terra prometida; traçam o caminho por meio das provações reservadas aos discípulos de Jesus. Mas, pelos méritos de Jesus Cristo e de sua Paixão, Deus nos guarda na "esperança que não decepciona" (Rm 5,5). (CIC §1817 a 1820)
Meditemos nesse pequeno texto de Santa Teresa de Ávila a respeito da esperança:
“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar.”
Existem dois tipos de pecados contra a virtude da Esperança: a presunção e o desespero.
A presunção consiste em acharmos que podemos possuir a Deus, tanto pela graça (na vida terrena) quanto na vida eterna, sem a ajuda de Deus. É um excesso de confiança que se faz esperar a vida eterna sem usar os meios prescritos por Deus, como a graça e as boas obras.
O desespero consiste em achar que nunca poderemos alcançar a vida eterna, ou que Deus nunca nos perdoará dos nossos pecados. É o exemplo de Caim e de Judas. Isso acontece com frequência em pessoas que passam por muitos sofrimentos e não têm confiança no socorro de Deus. 
                    A CARIDADE
A caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
Jesus fez da caridade o novo mandamento. Amando os seus "até o fim" (Jo 13,1), manifesta o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem. Por isso diz Jesus: "Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor" (Jo 15,9). E ainda: "Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" (Jo 15,12). §1822 §1823 §1826 §1827 §1828
O apóstolo S. Paulo traçou um quadro incomparável da caridade: "A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (l Cor 13,4-7).
Diz ainda o apóstolo: "Se não tivesse a caridade, nada seria...". E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude... “se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria". A caridade é superior a todas as virtudes. É a primeira das virtudes teologais.
O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade, que é o "vinculo da perfeição" (Cl 3,14.. A caridade assegura e purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à feição sobrenatural do amor divino.
A prática da vida moral, animada pela caridade, dá ao cristão a liberdade espiritual dos filhos de Deus. Já não está diante de Deus como escravo em temor servil, nem como mercenário à espera do pagamento, mas como um filho que responde ao amor daquele "que nos amou primeiro" (1 Jo 4,19).
“O amor é a rainha das virtudes. Como as pérolas se ligam por um fio, assim as virtudes, pelo amor. Fogem as pérolas quando se rompe o fio. Assim também as virtudes se desfazem afastando-se o amor”. (São Pio de Pietrelcina)

            CORREMOS O RISCO DE PERDER AS VIRTUDES TEOLOGAIS?
Uma vez recebidas, as virtudes teologais não se perdem facilmente. A virtude da caridade, a capacidade de amar a Deus com amor sobrenatural, só se perde pelo pecado mortal. Mas mesmo que se perca a caridade, a fé e a esperança permanecem. A virtude da esperança só se perde por um pecado direto contra ela, pelo desespero de não confiar mais na bondade e na misericórdia divinas. E, é claro, se perdemos a fé, perdemos também a esperança, pois é evidente que não se pode confiar em Deus se não se crê nEle. E a fé, por sua vez, perde-se por um pecado grave contra ela, quando nos recusamos a crer no que Deus revelou.
O relacionamento com Deus exige uma ação, uma cooperação de cada um. Não é um amor que só se doa ou que só recebe. É uma via de mão dupla, pois, quanto mais o homem se dá a Deus, mais recebe e quanto mais recebe de Deus, mais quer se configurar a Ele. As virtudes auxiliam no processo de configuração a Jesus Cristo, o homem como Deus sonhou, o homem que amou Deus como Ele quer ser amado, o homem-modelo de todos os homens.
“O fim de uma vida virtuosa consiste em se tornar semelhante a Deus”, como escreveu São Gregório de Nissa.
                             O PAPA BENTO XVI E AS VIRTUDES TEOLOGAIS
Podemos observar que o pontificado de Bento XVI está diretamente ligado ao incentivo da prática das três virtudes teologais.
- Caridade: Sua primeira encíclica foi intitulada de “Deus Caritas est” (Deus é Amor).
- Esperança: Mais tarde, o Santo Padre lançaria mais uma encíclica, intitulada “Spe Salvi” (Salvos pela esperança).
- Fé: recentemente proclamou que de outubro de 2012 a outubro de 2013, a Igreja viverá o “Ano da Fé”, tempo de aprofundamento acerca dessa virtude.

“Onde não há obediência, não há virtude. Onde não há virtude, não há bem, não há amor; e onde não há amor, não há Deus; e sem Deus não se chega ao Paraíso. Tudo isso é como uma escada: se faltar um degrau, caímos”. (São Pio de Pietrelcina)

REC – REFLEXÕES E ESTUDOS CATÓLICOS – 25/04/2012

SANTOS INCORRÚPTOS


    LOCAL: Capela Beato João Paulo II
TEMA: SANTOS INCORRUPTOS 

                     SOMOS DESTINADOS A UM CORPO INCORRUPTÍVEL
 Deus disse a Adão: "Com a transpiração de sua face você comerá o pão, até que você volte à terra, pois dela você veio; já que és pó e ao pó voltarás” (Gn 3,19). É o castigo para o pecado que todos os homens sofrem. Com o pecado veio a morte, porém, nós católicos...
“Cremos firmemente - e assim esperamos - que, da mesma forma que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, e vive para sempre, assim também, depois da morte, os justos viverão para sempre com Cristo ressuscitado e que Ele os ressuscitará no último dia. [...] A "ressurreição da carne" significa que após a morte não haverá somente a vida da alma imortal, mas que mesmo os nossos "corpos mortais" (Rm 8,11) readquirirão vida. [...] Na morte, que é separação da alma e do corpo, o corpo do homem cai na corrupção, ao passo que sua alma vai ao encontro de Deus, ficando à espera de ser novamente unida a seu corpo glorificado. Deus, em sua onipotência, restituirá definitivamente a vida incorruptível a nossos corpos, unindo-os às nossas almas, pela virtude da Ressurreição de Jesus. [...] Cristo ressuscitou com seu próprio corpo: "Vede as minhas mãos e os meus pés: sou eu!" (Lc 24,39). Mas ele não voltou a uma vida terrestre. Da mesma forma, nele" ressuscitarão com seu próprio corpo, que têm agora"; porém, este corpo será "transfigurado em corpo de g1ória", em "corpo espiritual"” (Catecismo da Igreja Católica, § 989, 990, 997, 999)
Embora ainda não tenha ocorrido a ressurreição, os corpos incorruptos fazem-nos lembrar Nosso Senhor Jesus, que não conheceu a corrupção física, como que prefigurando de certa forma a futura ressurreição da carne.
                                           OS CORPOS INCORRUPTOS
 Segundo a Tradição, o primeiro caso de incorruptibilidade foi o de Santa Cecília, que morreu em 177 e, séculos depois (no ano de 1599), permanecia incorrupta. O primeiro documento que relata um caso de incorrupção data do século IV e narra que Santo Ambrósio havia descoberto o corpo de um mártir, morto havia 200 anos, intacto.
Há duas formas de preservação de um corpo, segundo a ciência: a natural (quando o corpo é preservado devido a condições do solo ou do clima) e a indução (quando são utilizados processos químicos ou técnicas semelhantes). Os casos de incorrupção não se encaixam em nenhuma dessas categorias. É um fato sobrenatural que a ciência não consegue explicar.
Os corpos incorruptos são descobertos em inúmeros e diversificados ambientes. Eles permanecem livres de decomposição independente da forma que foram enterrados... atraso no enterro, temperatura, humidade, bruto/impróprio manuseio do corpo, transferências frequentes, corpos cobertos por quicklime (agente decompositor), ou proximidade a outros corpos já em decomposição e/ou decompostos.
O fenômeno da incorrupção não segue nenhuma regra. Alguns corpos se mantêm intactos até hoje, outros se mantêm por determinado tempo, outros secam lentamente no decorrer dos anos (sem perder as propriedades de incorrupção). Há também casos de incorrupções parciais, onde apenas uma parte do corpo não se decompõe, como coração e língua. As incorrupções parciais até hoje são motivo de espanto até mesmo para cientistas e estudiosos, pois, geralmente, os órgãos que permaneceram intactos são encontrados em meio a cinzas do corpo que já se decompôs.
Devido às mudanças climáticas, muitos dos corpos incorruptos estão perdendo mais rápido a aparência que tinham quando foram exumados. Por conta disso, alguns precisam ser recobertos por finas camadas de cera ou silicone para que os tecidos não escureçam.

          ALGUMAS CARACTERÍSTICAS COMUNS DOS CORPOS INCORRUPTOS
 - ausência de rigidez cadavérica, inclusive com depressão à compressão de tecidos e flexibilidade corporal, mantendo-se a movimentação passiva de articulações;
Para os cientistas, esse fato é justamente a característica mais intrigante, pois, as múmias, por exemplo, mesmo conservadas por séculos, apresentam tecidos e órgãos endurecidos.
- desprendimento de agradáveis perfumes, inclusive propagando-se para todo o ambiente;
- temperatura corporal correspondendo à do ambiente;
- tonalidade rósea da pele;
- desprendimento espontâneo de uma espécie de óleo, com aspecto comparável ao de óleo vegetal, ou de outros líquidos, como água, e de sangue, inclusive sangue com aspecto de recentemente coagulado;
- sangramentos produzidos por incisões (cortes).
  
                             EXEMPLOS DE SANTOS INCORRUPTOS

Santa Catarina Labouré:  Faleceu no ano de 1876 e ficou conhecida pelas vezes em que Nossa Senhora das Graças lhe apareceu. Santa Catarina foi exumada 57 anos depois de sua morte e as monjas de seu convento encontraram-na totalmente incorrupta. Há relatos de que várias das monjas desmaiaram durante a exumação de Catarina, pois ela tinha o aspecto de uma pessoa viva e seus olhos azuis estavam mais lindos que nunca.

São Pio de Pietrelcina:   O corpo de São Pio foi exumado em San Giovanni Rotondo, sul da Itália, em março de 2008, quarenta anos depois de sua morte. São Pio conserva a barba, as sobrancelhas, as unhas, os joelhos e os tecidos em bom estado e seus restos mortais não apresentam mau cheiro. Seu rosto foi coberto por uma máscara de silicone. Mais de 5,5 milhões de fiéis de todo o mundo, inclusive o papa Bento XVI, visitaram o sarcófago de vidro de São Pio durante o período em que ficou exposto para veneração.

Santa Rita de Cássia:   Após ouvir uma pregação sobre a Paixão de Cristo,  pediu a Jesus que pudesse compartilhar seus sofrimentos em favor da conversão dos pecadores. Tendo seu pedido atendido, recebeu um espinho na fronte que lhe causou uma repugnante ferida, da qual exalava um odor pútrido acompanhado por pus que a obrigou a viver isolada das outras monjas pelo resto da vida.
Em 1457, quando veio a falecer, a ferida desapareceu e em seu lugar surgiu uma mancha vermelha como um rubi, que exalava uma deliciosa fragrância que perdura até os dias atuais. Por conta deste admirável perfume, Santa Rita nunca foi enterrada. Hoje, seu corpo se encontra incorrupto, exposto em um sarcófago de cristal no Santuário Mosteiro de Santa Rita de Cássia, na Itália.
Há registros de que, por diversas vezes, o corpo de Santa Rita já abriu e fechou os olhos, mudou de posição no sarcófago, mexeu pés e mãos e até mesmo levitou. Uma das levitações ocorreu no ano de 1730, durante um terremoto, que assolou algumas cidades da Itália, mas não causou nenhum mal à cidade de Cássia.

Santa Bernadette Soubirous:   Santa Bernadete teve visões de Nossa Senhora em Lourdes, na França. Morreu em 1879. Seu corpo foi exumado 30 anos mais tarde, em 1909, e foi descoberto completamente incorrupto e livre de qualquer odor. Seu corpo foi novamente exumado uma segunda vez 10 anos mais tarde e se encontrava ainda incorrupto.

Santa Catarina de Bolonha:   Morreu em 1463 e se encontra incorrupta e em exposição por mais de 500 anos em posição sentada. A cada dois anos é realizado um exame raio X que comprova a integridade de sua coluna vertebral.

Língua de Santo Antônio:   Santo Antônio foi um exímio pregador da Palavra de Deus. Sendo assim, trinta e dois anos após sua morte, São Boaventura encontrou, dentre ossos e cinzas, a língua e as cordas vocais do santo completamente conservadas, como de uma pessoa viva. Na biografia de Santo Antônio se encontram as palavras pronunciadas pelo ministro-geral do mosteiro, quando se deparou com a língua incorrupta: "Ó língua bendita, que sempre bendisseste o Senhor e fizeste que também os outros o bendissessem sempre; pela tua conservação se compreende bem qual o teu mérito diante de Deus".
Um segundo reconhecimento foi realizado em 1981, por ordem do papa João Paulo II. A língua de Santo Antônio permanece intacta (mudou apenas de cor, pois escureceu) e é uma das relíquias mais visitadas pelos católicos de todo o mundo. Está guardada num relicário e se encontra hoje na Basílica de Santo Antônio de Pádua, na Itália.

Sangue de São Januário:   O jovem bispo, São Januário, foi perseguido no tempo do imperador Diocleciano (por volta do ano 305), que, depois de várias tentativas frustradas de matá-lo, ordenou que fosse decapitado. Os cristãos da época recolheram duas ampolas do sangue que jorrava da cabeça de São Januário. Dez anos depois, entregaram as ampolas com o sangue do mártir ao bispo de Nápoles, cidade italiana próxima de onde vivia o santo.
A partir daí, começaram os registros do milagre que se repetiria no decorrer dos anos, até a atualidade: três vezes por ano, o sangue de São Januário, conservado em estado sólido nas ampolas, de repente se transforma em líquido novamente. Como se não bastasse, chega a borbulhar, muda de coloração (de negro para vermelho vivo) e apresenta variações de peso e volume.
Desde 1659, estão registrados mais de dez mil ocasiões em que o milagre se repetiu.
                              OBS: Imagens no google (corpos incorrúptos)

                        A VENERAÇÃO DOS CORPOS DOS SANTOS
"Os corpos dos mártires sagrados e outros que vivem agora com Cristo; corpos que eram seus membros e templos do Espírito Santo, que um dia subirão para Ele e serão glorificados na vida eterna, podem ser venerados pelos cristãos. Deus dá muitos benefícios aos homens através deles ." (Concílio de Trento)



                                                                                                    REC – REFLEXÕES E ESTUDOS CATÓLICOS – 18/04/2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

DIVINA MISERICÓRDIA


Local: Capela Beato João Paulo II
TEMA: A DIVINA MISERICÓRDIA REVELADA À SANTA FAUSTINA
                              (João Paulo II, na homilia da Canonização de Santa Faustina)

JESUS SE REVELA A IRMÃ FAUSTINA
Santa Faustina nasceu em Glogowiec, na Polónia central, no dia 25 de Agosto de 1905, de uma família camponesa de sólida formação cristã. Desde a infância sentiu a aspiração à vida consagrada, mas teve de esperar diversos anos antes de poder seguir a sua vocação. Em todo o caso, desde aquela época começou a percorrer a via da santidade. Mais tarde, recordava:  "Desde a minha mais tenra idade desejei tornar-me uma grande santa".
O Senhor a escolheu para uma missão especial. Depois de atravessar pela “noite escura” das provações físicas, morais e espirituais, a partir de 22/02/1931, em Plock,o próprio Senhor Jesus Cristo começa a se manifestar à Irmã Faustina de um modo particular, revelando de um modo extraordinário a centralidade do mistério da misericórdia divina para o mundo e a história e novas formas de culto e apostolado em prol desta sua divina misericórdia.
A ESPIRITUALIDADE DA MISERICÓRDIA DIVINA
 Os 5 elementos distintivos da espiritualidade da Divina Misericórdia – que emergem a partir de sua história de fé – tocam de algum modo as mais diversas dimensões da vida humana e conseqüentemente também da nossa fé católica: 
- liturgia (Festa da Divina Misericórdia)
- piedade (Terço a Misericórdia)
- tempo (Novena e Hora da Misericórdia)
- espaço (Imagem)
Nesse estudo, nos atentaremos à Imagem e à Festa da Divina Misericórdia.
                               A IMAGEM DE JESUS MISERICORDIOSO
A imagem de Jesus Misericordioso tem origem na visão que Santa Faustina teve em 22 de fevereiro 1931, na Polônia. Ela mesma descreve a visão que teve de Jesus em seu Diário: “À noite, quando me encontrava na minha cela, vi Nosso Senhor vestido de branco. Uma das mãos erguida para a bênção, e a touca tocava-lhe a túnica, sobre o peito. Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e o outro pálido. [...] Logo depois, Jesus me disse: "pinta uma imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: ‘Jesus, eu confio em Vós’. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois, no mundo inteiro”.
Mais tarde, Jesus revelaria o que esta imagem significa: “Os dois raios representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas da Minha misericórdia, quando na Cruz o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança [...]. Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus”. E disse ainda:
“Ofereço aos homens um vaso, com o qual devem vir buscar graças na fonte da misericórdia. O vaso é a Imagem com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós [...]. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte [...]. Por meio dessa Imagem concederei muitas graças às almas; que toda alma tenha, por isso, acesso a ela”.
A primeira imagem foi pintada por Eugeniusz Kazimierowski , em 1934, que seguiu estritamente as orientações de Santa Faustina para compor os detalhes da pintura. Jesus então revelou à Santa Faustina: “O Meu olhar, nesta Imagem, é o mesmo que eu tinha na cruz”. A pintura foi exposta pela primeira vez no primeiro domingo depois de Páscoa, a pedido de Jesus. O Senhor expressou o desejo de que a Igreja instituísse a Festa da Divina Misericórdia, a ser celebrada todos os anos no primeiro domingo após a Páscoa. Em 30 de abril de 2000, dia em que Santa Faustina foi proclamada santa, o papa João Paulo II instituiu a Festa da Divina Misericórdia para o mundo inteiro.
Algumas outras imagens de Jesus Misericordioso já foram pintadas, no entanto, a Congregação das Irmãs de Jesus Misericordioso (fundada em 1947 pelo padre Miguel Sopocko, mentor espiritual de Santa Faustina) tem se empenhado para que a imagem original seja propagada, pois foi a única pintada sob as orientações de Santa Faustina. Em 2003, a pintura passou por uma restauração. Assim, em 2004 foi realizada uma sessão fotográfica profissional da imagem a fim de fornecer aos fiéis um meio de divulgar a pintura original.
Aprovada pela Igreja e abençoada pelo presbítero, a imagem se torna para a comunidade e cada fiel um sacramental, ou seja, um sinal sagrado por meio do qual a Igreja pede a Deus os Seus benefícios, sobretudo espirituais.
                       A FESTA DA DIVINA MISERICÓRDIA
 Com efeito, aos 22/02/1931, uma das primeiras revelações de Jesus à Santa Faustina diz respeito à Festa da Misericórdia, que deveria ser celebrada no 2º domingo da Páscoa:
“Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja benzida solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia” (Diário, 49; cf. 88; 280; 299b; 458; 742; 1048; 1517).
A Festa é uma obra divina, mas Ele quer que Santa Faustina se empenhe tanto em sua implantação, como em seu incremento: “Na Minha festa, na Festa da Misericórdia, percorrerás o mundo inteiro e trarás as almas que desfalecem à fonte da Minha misericórdia. Eu as curarei e fortalecerei” (D. 206); “Pede ao Meu servo fiel que, nesse dia, fale ao mundo inteiro desta Minha grande misericórdia, que aquele que, nesse dia, se aproximar da Fonte da Vida, alcançará perdão total das culpas e penas” (D. 300a; cf. 1072). Santa Faustina abraça com toda a alma esta causa, pelo que exclama e reza: “Oh! como desejo ardentemente que a Festa da Misericórdia seja conhecida pelas almas!” (D. 505); “Apressai, Senhor, a Festa da Misericórdia, para que as almas conheçam a fonte da Vossa bondade” (D. 1003; cf. 1041). Jesus leva a sério a dedicação de Santa Faustina nesta missão: “Pelos teus ardentes desejos, estou apressando a Festa da Misericórdia...” (D. 1082; cf. 1530), e por isso o demônio procura atrapalhar o seu caminho (D. 1496).
“Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Neste dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará o perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas, pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica a aprofundará. Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia. Toda alma contemplará em relação a Mim, por toda a eternidade, todo o Meu amor e a Minha misericórdia. A Festa da Misericórdia saiu das Minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa” (D. 699); “Desejo conceder indulgência plenária às almas que se confessarem e receberem a Santa Comunhão na Festa da Minha misericórdia” (D. 1109).
                          
                                    O POEMA DE SANTA FAUSTINA
“Amor Eterno, mandais pintar a Vossa santa Imagem
E nos desvendais a fonte da misericórdia inconcebível!
Abençoais quem se aproxima de Vossos raios,
E a alma negra se tornará branca como a neve. 
Ó doce Jesus, aqui fundastes o trono da Vossa misericórdia
Para alegrar e ajudar o homem pecador:
Do coração aberto, como de uma fonte límpida,
Flui o consolo para a alma e o coração arrependido.
Que a honra e o louvor para esta Imagem
Nunca deixem de fluir da alma do homem!
Que de cada coração flua honra para a misericórdia de Deus
Agora, e em cada hora, e por todos os séculos!” 
REC – REFLEXÕES E ESTUDOS CATÓLICOS – 11/04/2012

quarta-feira, 4 de abril de 2012

MARIA, CO-REDENTORA


                                                                                                    LOCAL: Capela Beato João Paulo II
TEMA: MARIA, CO-REDENTORA 

           CONSIDERAÇÕES INICIAIS...

- O título mariano de "Co-redentora" se refere à participação única de Maria na obra de nossa redenção, realizada por Jesus Cristo. O prefixo "co" vem do latim "cum", que significa "com" e não "igual a".

 

- O conceito de Co-Redentora não é um dogma, embora petições para declará-lo (juntamente com Medianeira) dogmaticamente, tenham sido submetidos ao Papa por vários cardeais e bispos, para que esta crença possa tornar-se o quinto dogma mariano aprovado pela Santa Sé.

 

- O conceito de Co-Redenção não é novo, mesmo antes do ano 200, Santo Ireneu de Lyon refere-se a Maria como "causa salutis" (causa de nossa salvação) devido ao seu Filho.

 

- O Papa João Paulo II usou o título de Co-redentora pelo menos em seis ocasiões em pronunciamentos, como fez o Papa Pio XI várias vezes antes dele.
    Por exemplo, em sua homilia em Guayaquil, Equador, em janeiro de 1985, João Paulo II declarou que Maria estava "crucificada espiritualmente com seu Filho crucificado" e que "seu papel como Co-redentora não cessou depois da glorificação de seu Filho".   
Os santos trazem um forte testemunho para o título de Maria Co-redentora. São Pio de Pietrelcina, São Josemaría Escrivá, Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), São Leopoldo Mandic, Bem-Aventurado Bartolo Longo e vários outros santos recentemente canonizados e bem-aventurados usaram o título, junto com São Maximiliano Kolbe.   
Madre Teresa de Calcutá foi efetivamente um dos líderes da causa para uma definição de Maria Co-redentora e Medianeira de todas as graças. Irmã Lúcia, a vidente de Fátima, também sublinhou o papel de Maria Co-redentora em seu último livro "Apelos da Mensagem de Fátima", expondo sobre Maria Co-redentora em seis seções diferentes.

A este respeito, afirma o famoso teólogo Pe. Royo Marin: A Co-Redenção mariana — assim como a Redenção de Cristo, com a qual forma uma só coisa — atinge todo o gênero humano, sem exceção. Não há um Redentor por um lado e uma Co-Redentora por outro, mas uma só Redenção, realizada por Cristo com a cooperação secundária de Maria”. 


                     PRONUNCIAMENTO DE JOÃO PAULO II SOBRE O TEMA


Maria, singular cooperadora da Redenção

Audiência do Santo Papa João Paulo II, no dia 9 de abril de 1997

                                                 Queridos Irmãos e Irmãs
1. No decurso dos séculos a Igreja refletiu sobre a cooperação de Maria na obra da salvação, aprofundando a análise da sua associação ao sacrifício redentor de Cristo. Já Santo Agostinho atribui à Virgem a qualificação de «cooperadora » da Redenção (cf. De Sancta Virginitate, 6;PL 40, 399), título que põe em relevo a ação conjunta e subordinada de Maria a Cristo Redentor.
Neste sentido se desenvolveu a reflexão, sobretudo a partir do século XV. Temeu-se que se quisesse pôr Maria no mesmo plano de Cristo. Na realidade, o ensinamento da Igreja sublinha com clareza a diferença entre a Mãe e o Filho na obra da salvação, ilustrando a subordinação da Virgem, enquanto cooperadora, ao único Redentor.
De resto, o apóstolo Paulo, quando afirma: «Somos cooperadores de Deus» (1Cor. 3, 9), sustenta a efetiva possibilidade para o homem de cooperar com Deus. A colaboração dos crentes que, obviamente, exclui qualquer igualdade com Ele, exprime-se no anúncio do Evangelho e no contributo pessoal ao seu arraigamento no coração dos seres humanos.
2. Aplicado a Maria, o termo «cooperadora » assume, porém, um significado específico. A colaboração dos cristãos na salvação atua-se depois do evento do Calvário, cujos frutos eles se empenham em difundir mediante a oração e o sacrifício. O concurso de Maria, ao contrário, atuou-se durante o evento mesmo e a título de mãe; estende-se, portanto, à totalidade da obra salvífica de Cristo. Somente Ela esteve associada deste modo à oferta redentora, que mereceu a salvação de todos os homens. Em união com Cristo e submetida a Ele, colaborou para obter a graça da salvação à humanidade inteira.
O particular papel de cooperadora, desempenhado pela Virgem, tem como fundamento a sua maternidade divina. Dando à luz Aquele que estava destinado a realizar a redenção do homem, nutrindo- O, apresentando-O no templo, sofrendo com Ele que morria na Cruz, «cooperou de modo singular na obra do Salvador» (LG, 61). Embora a chamada de Deus a colaborar na obra da salvação se refira a cada ser humano, a participação da Mãe do Salvador na Redenção da humanidade representa um fato único e irrepetível.
Não obstante a singularidade dessa condição, também Maria é destinatária da salvação. É a primeira remida e resgatada por Cristo, «da maneira mais sublime» na sua imaculada conceição (cf. Bula «Ineffabilis Deus», em Pio IX, Acta I, 605) e cumulada pela graça do Espírito Santo.
3. Esta afirmação conduz-nos agora a perguntar-nos: qual é o significado desta singular cooperação de Maria no plano da salvação? Ele deve ser procurado numa particular intenção de Deus em relação à Mãe do Redentor, a qual em duas ocasiões solenes, isto é, em Caná e junto da Cruz, é chamada por Jesus com o título de «Mulher» (cf. Jo. 2, 4; 19, 26). Maria, enquanto mulher, é associada à obra salvífica. Tendo criado o homem «varão e mulher» (cf. Gn. 1, 27), o Senhor quer, também na Redenção, pôr ao lado do Novo Adão a Nova Eva. O casal dos progenitores empreendera a via do pecado; um novo casal, o Filho de Deus com a colaboração da Mãe, haveria de restabelecer o gênero humano na sua dignidade originária.
Maria, Nova Eva, torna-se assim ícone perfeito da Igreja. Ela, no desígnio divino, representa aos pés da Cruz a humanidade remida que, necessitada de salvação, se torna capaz de oferecer um contributo ao desenvolvimento da obra salvífica.
4. O Concílio tem bem presente esta doutrina e fá-la própria, ressaltando o contributo da Virgem Santíssima não só no nascimento do Redentor, mas também na vida do seu Corpo místico, ao longo dos séculos e até ao «escaton»: na Igreja Maria «cooperou» (cf. LG, 53) e «coopera» (cf. LG, 63) na obra da salvação. Ao ilustrar o mistério da Anunciação, o Concílio declara que a Virgem de Nazaré «abraçou de todo o coração o desígnio salvífico de Deus, se consagrou totalmente, como escrava do Senhor, à pessoa e à obra de seu Filho, subordinada a Ele e juntamente com Ele, servindo pela graça de Deus onipotente o mistério da Redenção» (LG, 56).
O Vaticano II, além disso, apresenta Maria não só como a «mãe do Redentor », mas como «companheira generosa deveras excepcional», que coopera «de modo singular, com a sua obediência, fé, esperança e ardente caridade, na obra do Salvador». Recorda, além disso, que o fruto sublime desta cooperação é a maternidade universal: «É por esta razão nossa mãe na ordem da graça» (LG, 61).
À Virgem Santa podemos, então, dirigir- nos com confiança, implorando-lhe o auxílio, na consciência do papel singular a Ela confiado por Deus, o papel de cooperadora da Redenção, por Ela exercido durante toda a vida e, de modo particular, aos pés da Cruz.

                                                MARIA, A NOVA EVA

“O que Lúcifer perdeu por orgulho, Maria ganhou por humildade. O que Eva condenou e perdeu pela desobediência, salvou-o Maria pela obediência. Eva, obedecendo à serpente, perdeu consigo todos os seus filhos e os entregou ao poder infernal; Maria, por sua perfeita fidelidade a Deus, salvou consigo todos os seus filhos e servos e os consagrou a Deus.”
(São Luís Maria Gringnion de Montfort)

REC – REFLEXÕES E ESTUDOS CATÓLICOS – 04/04/2012